“Uma noite para nunca mais esquecer…”
24.11.07
Sábado á noite,
Para variar um pouco, mais uma noite de calor.
Eu e um amigo (que também se chama Nelson) com quem trabalho, saímos á noite por volta das 23h.
Á procura de diversão aqui na Floresta. Que por mais estranho que pareça, ela existe! Em todas as aldeias, existem pequenos bares, que passam a mais variada música. Através de umas aparelhagens todas traficadas, com umas ligações manhosa (fios descarnados, vale tudo!!!). Algumas delas ligadas a colunas de automóveis, de onde sai um som estridente e cheio de distorção. Até chegamos a confundir as músicas, com o som do gerador que fornece a energia eléctrica e que trabalha nas traseiras do bar!
Ao fazermo-nos á estrada, tinhamos percorrido cerca de 14km, desde o local onde vivemos. E começa-mos a ouvir uns batuques vindos do interior da floresta. Paramos a PickUp, foi buscar a lanterna que tinha no porta-luvas e seguimos um trilho que nos levava ao encontro do som dos batuques. Quanto mais andávamos melhor se definia o som. Já se ouvia cantares a acompanhar as batucadas. Avistamos luz, uma fogueira enorme no meio do bosque, cerca de dez pessoas junto a ela. Mas o som vinha de dentro de uma casa"palhota", mesmo ali ao lado.
Chegamos junto a eles sem ser notados, mas por poucos segundos. Foi então que fomos reconhecidos por um dos nativos (que trabalha para nós, na obra), que nos veio cumprimentar e apresentou-nos aos restantes elementos. Tive que me rir, enquanto ele nos apresentava aos outros! - Ele dizia: “Este é Nelson Grande, e este é Nelson Pequeno!”. Eu sou o pequeno, é que o outro Nelson é ligeiramente mais alto que eu!
Foi então, que nos convidaram a entrar dentro da casa"palhota"!
Estavam a realizar um ritual espirituoso (a chamada bruxaria), e iam deixar-nos assistir!
Fiquei um pouco nervoso, e acho que o Nelson também ficou, mas não disse nada!
A casa estava cheia de gente! O som dos batuques e das vozes dos nativos a cantar, estavam em harmonia. Estava um fumo, que não se conseguia ver bem a quantidade de pessoas, que estava presente. Algumas estavam com pinturas na cara e penachos na cabeça. Umas dançavam, outras cantavam e batiam palmas, andavam num círculo estonteante. No meio da sala, lá estavam também em círculo 6 elementos tocando Congas e um Xilofone enorme (feito de um tronco de uma arvore), incrível! Mas o fumo que pairava no ar, não era um fumo qualquer. Não faço a mínima ideia o que se estava ali a queimar, mas depressa comecei a ficar de sorriso feito, e de "cigarro" na mão. O Nelson, não quis fumar, diz que não se dá bem com os "fumos"! Mas ainda bem, que não fumou. Senão, não me iria recordar de tudo.
Quando dei por mim, já estava com uma daquelas mocas, que me dá para ameaçar as pessoas com garfos, já estava doido de todo.
Até já dançava com eles, cantava sei lá o quê (emitia uns sons!), tocava nos batuques. Uma coisa é certa, ainda hoje me dói as mãos de tanto tocar.
O que sei é que nunca me tinha divertido tanto aqui na Guiné Equatorial , como me diverti naquela noite.
A parte final da noite já não me recordo bem, mas sei que cheguei a casa de dia, e com a cara toda pintada, com barro"lama", e uma tinta qualquer que eles extraem de umas folhas.
Mas o ambiente que ali vivi, é difícil de descrever. Aquela sonoridade perfeita, quase que entras em transe. Eu acho que entrei!
Mas temos de saber respeitar estes ambientes, os nativos levam estes rituais muito a sério. O Nelson, pediu para tirar umas fotos. Mas eles não permitiram! Podíamos ali estar, participar, mas fotos é que não!
Meus amigos, muito bom. Gostei muito, estou pronto a repetir!!!
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